Esse post não está diretamente relacionado a proposta central deste blog, mas me chamou atenção os comentários de Terance Tao sobre a utilização de questões de múltipla escolha e, portanto, resolvi compartilhar. Em tempos de Enade, com instituições de ensino superior preocupadas em preparar os alunos para esta avaliação (entenda como quiser o significado de "preparar"), e de cursos na forma de pacotes prontos vendidos e consumidos como se fossem um produto qualquer, refletir sobre os fundamentos da avaliação parece ter algum valor.
Mas, afinal, questões de múltipla escolha são:
(a) totalmente inúteis;
(b) ideais para todos os tipos de aulas;
(c) úteis em algumas situações;
(d) todas as anteriores.
Para Terance Tao a resposta é (c), são úteis em determinadas situações, não ficando restritas apenas à exames finais e outras avaliações. Para ele, considerando algum grau de auto-disciplina e maturidade do aluno, este tipo de questão pode favorecer a capacidade de reflexão autônoma do aluno amparada por uma estrutura pedagógica que oriente seu aprendizado. Eu acrescentaria ainda como requisito algum grau de maturidade do professor, assim como de uma estrutura formal que propicie o esforço efetivo de educar.
Preocupações como essas parecem simples, mas esbarram na estrutura da educação, no caso específico da maioria dos leitores desse blog, da educação superior em administração. No último Enanpad, tive a oportunidade de acompanhar um debate de alta qualidade sobre a prática docente na formação de profissionais em administração. A questão de fundo indagava se a academia é monológica, se a própria prática docente, em sala de aula, atua como mecanismo reprodutor de uma pedagogia que não privilegia a reflexividade, mas a "venda da certeza" e o consumo do "conhecimento". Se isso for verdadeiro, qual o papel dos docentes neste processo? Trata-se de uma questão pedagógica e não necessariamente do conteúdo a ser discutido nas aulas. Por essa razão que aspectos como os levantados por Tao merecem ser considerados seriamente. Não que ele esteja correto, mas por tratar de preocupações que fazem parte da rotina de qualquer professor em sua prática como educador.
Segue um trecho do post:
In summary, I believe that there are a number of interesting ways - many of which appear to be underexplored at present - in which some well-designed and self-administered online multiple choice questions can efficiently assess one's strengths and weaknesses in a given mathematical subject. Of course, having one-on-one interaction with a lecturer or teaching assistant would be a greatly preferable way to achieve this sort of instant feedback, but this is impractical for larger classes. It is also true that a certain level of maturity and discipline is needed on the student's part in order to actually benefit from these sort of self-assessments, especially since they are not directly contributing to the student's grade in the class, but my philosophy here is to give the students the benefit of the doubt in this regard; I feel that being able to explore beyond the bare minimum of what is needed to obtain a passing grade is part of what an upper-division course should be about.
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